Category Archives: Cerveja Artesanal

2º Encontro da Confraria Bucica – Distribuição das primeiras cervejas

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Pessoal, estamos programando um novo encontro da Confraria, na qual pretendemos distribuir a primeira leva de cerveja artesanal da Confraria Bucica.

Essa partilha mensal consta do acordo firmado, onde começaríamos a entregar em outubro.

Seguem dados do encontro:

Data: 30/10/2013

Horário: A partir das 19:30 horas

Local: AABB – Espaço Deck (o mesmo local do encontro do dia 24/07/2013)

Valor da participação (comida e bebida): R$ 25,00 Confrade / R$ 15,00 Acompanhante Mulher / R$ 30,00 Acompanhante Homem

Cardápio: Churrasco para aperitivo com Carne Bovina, Linguicinha, coxinha da asa de frango e pãozinho para harmonizar com a Vens Bucica (Bucica Weiss)

Observações:

- A cerveja será servida em choppeiras à gelo, leve o seu copo de vidro;

- A comida e bebida serão fornecidas à preço de custo. Para quem não bebe (se é que irá alguém com essa deficiência) teremos água e refrigerante;

- Leve sacola térmica ou caixa conservadora (Isopor) para transportar as suas cervejas, pois estas serão entregues geladas e por não estarão pasteurizadas.

- A participação não é obrigatória e a distribuição de cerveja da partilha mensal não é vinculada à esse encontro. Faremos isso para aproveitar e facilitar a logística. Caso você não tenha interesse ou não possa participar, a sua partilha de cervejas estará garantida, podendo ser recolhida posteriormente com um dos Administradores da Confraria. Consulte-nos!

Confirme a sua participação até a próxima sexta feira 18/10/2013, para nos planejarmos. A garantia da participação é através de pagamento antecipado. Seguem dados da conta corrente:

Banco do Brasil S.A.

Agencia: 3616-1

C/C: 17162-X

Favorecido: Anísio Silva
CPF: 432.815.169-04

Um abraço maltado e lupulado e até o dia 30.

 

Anísio, Eduardo e Sérgio

História da Cerveja – Parte 1

Não poderíamos iniciar uma série de posts sobre cerveja sem começar pelo passado, e assim começamos uma série de posts contando a história da cerveja desde seu descobrimento, passando por suas épocas douradas e sua idade das trevas até o cenário cervejeiro atual.

Neste nosso primeiro post, vamos explicar como a cerveja foi criada, ou melhor, descoberta pelos sumérios, alguns milhares de anos antes de Cristo.

A Cerveja na Suméria

Barra suméria ilustrando a cerveja

Barra suméria ilustrando a cerveja

A Suméria é considerada a civilização mais antiga da humanidade, localizada no sul da Mesopotâmia, próximo ao Golfo Pérsico, onde atualmente fica o Iraque. Essa civilização tem origem em cerca de 6.000 a.C. e teve seu declínio logo após 2.000 a.C.

Os sumérios, como primeira civilização do planeta, são responsáveis por diversas invenções e descobertas importantíssimas, como a primeira forma de escrita, a economia, a agricultura, o primeiro registro de religião e claro, a cerveja.

Como naquela época a busca pela garantia de alimentação era parte importante da vida das pessoas, os sumérios conseguiram administrar plantações de uma espécie antiga de grama e alguns cereais, entre eles a cevada e o trigo.

Estes cereais eram colhidos com facilidade pelos homens, e eram parte importante da dieta da população. Os cereais eram sempre duros e de difícil digestão e os sumérios acabaram fazendo farinha com estes cereais. Mas ainda assim a farinha era difícil de se fazer, mas, de alguma forma, os sumérios descobriram que, se deixassem os cereais de molho na água, eles absorviam a água e ficavam mais moles, permitindo que fossem ingeridos ou virassem pasta facilmente. A partir daí esses cereais foram utilizados para fazer pães.

Daí para a descoberta da cerveja foi um pulo: os cereais eram molhados. Algum dia descobriram que, se deixassem os cereais molhados por algum tempo, eles se transformavam em uma nova planta. Depois disso descobriram que, se eles fossem molhados, germinassem e depois fossem secos, era possível utilizar esses cereais para fazer pães mais doces. Como nada era desperdiçado, as sobras das sopas de cereais eram guardadas e provavelmente, depois de alguns dias guardada, aquela sopa havia sido fermentada e se tornado um líquido muito bom. Assim nasceu a cerveja.

A cerveja tornou-se uma parte importante da sociedade dos sumérios. Tanto os ricos quanto os pobres tinham acesso à bebida e acreditava-se que até mesmo os deuses bebiam cerveja. Sendo assim, o processo de fazer cerveja foi evoluindo juntamente com a civilização suméria e passou a fazer parte do dia-a-dia da população. A cerveja era bebida por todas as classes da sociedade, como parte da alimentação diária e recebeu aditivos, como frutas e mel.

Como a cerveja passou a incluir o processo de fervura, a cerveja contribuía também para a saúde dos sumérios, já que a água a que tinham acesso nem sempre estava livre de contaminações. Já a cerveja, estava razoavelmente segura, já que passava pela fervura.

Pesquisadores ainda descobriram que a cerveja era bebida pelos sumérios através de canudos de palha. Os canudos eram usados para que os resíduos sólidos da cevada não fossem ingeridos juntamente com o liquido.

Ninkasi – A deusa da cerveja

Ninkasi

Ninkasi

A cerveja tinha tanta importância para a sociedade suméria que uma das entidades de seu panteão religioso era responsável pela cerveja. A deusa Ninkasi, ou “aquela que enche a boca“, se posicionava no panteão sumério como uma das oito entidades filhas da relação incestuosa de Enki, deus das águas doces e de Ninti, deusa dos oceanos. A lenda dizia que a deusa Ninkasi havia nascido de águas frescas e cintilantes. Enki ainda era considerado o deus do conhecimento, pois a água era associada à sabedoria. Ambos os deuses estão envolvidos na mitologia da criação do homem. De acordo com a mitologia suméria, o homem foi moldado na argila por Enki e Ninti. Os deuses usaram o próprio sangue no processo de moldagem do homem.

Apesar de evoluírem muito o processo cervejeiro, os sumérios deixaram pouco material para permitir que a cerveja que eles fabricavam fosse repetida nos dias de hoje. A única receita de cerveja dos sumérios está em um poema chamado “Hino à Ninkasi“, ou “Louvor à Ninkasi“. Estima-se que o poema foi escrito por volta de 1800 a.C.

Segue abaixo a tradução do poema:

Nascida de água corrente,
Ternamente cuidada pela Ninhursag,
Nascida de água corrente,
Ternamente cuidada pela Ninhursag,
Tendo fundado sua cidade pelo lago sagrado,
Ela rematou-a com grandes muralhas para você,
Ninkasi, fundando sua cidade pelo lago sagrado,
Ela rematou-a com grandes muralhas para você,
Seu pai é Enki, Senhor Nidimmud,
Sua mãe é Ninti, a rainha do lago sagrado.
Ninkasi, seu pai é Enki, Senhor Nidimmud,
Sua mãe é Ninti, a rainha do lago sagrado.
Você é a única que lida com a massa com uma grande pá,
Misturando em uma caldeira, o bappir (pão sumério) com ervas aromáticas doces,
Ninkasi, você é a única que lida com a massa com uma grande pá,
Misturando em uma caldeira, o bappir com tâmaras ou mel,
Você é a única que assa o bappir no grande forno,
Coloca em ordem as pilhas de grãos descascados,
Ninkasi, você é a única que assa o bappir no grande forno,
Coloca em ordem as pilhas de grãos descascados,
Você é a única que rega o malte jogado pelo chão,
Os cães nobres mantém distância, até mesmo os soberanos,
Ninkasi, você é a única que rega o malte jogado pelo chão,
Os cães nobres mantém distância, até mesmo os soberanos,
Você é a única que embebe o malte em um cântaro,
As ondas surgem, as ondas caem.
Ninkasi, você é a única que embebe o malte em um cântaro,
As ondas surgem, as ondas caem
Você é a única que estica a pasta assada em largas esteiras de palha,
A frieza domina,
Ninkasi, você é a única que estica a pasta assada em largas esteiras de palha,
A frieza domina,
Você é a única que segura com ambas as mãos o magnífico e doce sumo,
Fermentando-o com mel e vinho
(Você, o doce mosto da caldeira)
Ninkasi, (…) (Você, o doce mosto da caldeira)
A cuba de filtragem, que faz um som agradável,
Você coloca adequadamente em uma cuba coletora grande.
Ninkasi, a cuba de filtragem, que faz um som agradável,
Você coloca adequadamente em uma cuba coletora grande.
Quando você despeja a cerveja filtrada do barril coletor,
É como o encontro do Tigre e Eufrates.
Ninkasi, você é a única que derrama a cerveja filtrada do barril coletor,
É como o encontro do Tigre e Eufrates.

Obs.: A tradução é livre e por isso podem-se encontrar diferentes versões do poema.

Ninkasi e a cerveja

Ninkasi e a cerveja

Na sociedade suméria, enquanto os homens eram responsáveis pela caça e colheita, eram as mulheres que permaneciam nas cidades e fabricavam a cerveja. Daí a figura feminina da deusa Ninkasi. Existiam casas de cerveja, que as mulheres administravam e serviam como forma de diversão masculina.

 

E é isso pessoal, por hoje ficamos por aqui. Aguardem os próximos episódios da saga desse líquido tão admirado hoje em dia.

Fontes:

FWH – First Wort Hopping

First Wort Hopping (FWH), em tradução livre algo como “Lupulagem no primeiro mosto”, tem como tarefa a adição precoce de lúpulos ao mosto e, como objetivo, produzir amargores e aromas mais complexos e agradáveis.

Lendo sobre FWH na literatura, percebemos que esse era um método usado por cervejeiros alemães no início do século passado e que foi redescoberto nos anos 90. Aparentemente, a primeira publicação de um documento sobre o FWH foi publicado por Preis, Nuremberg e Mitter no jornal cervejeiro Brauwelt International em 1995 (vol IV, p. 308).

A idéia do FWH é incluir certa quantidade de lúpulo durante ou logo após o Sparge. Aí é que vem o desafio: na literatura são diversas sugestões:

Dave Draper, em seu artigo sugere que a adição do lúpulo em FWH deve ser de pelo menos 30% do total de lúpulo. De acordo com Brad Smith em seu primeiro artigo relacionado ao FWH (The First Wort Hop: Beer Brewing Techniques, – BeerSmith Home Brewing Blog, 17/03/2008), ele recomenda exatos 30% e ainda informa que algumas fontes sugerem que devem ser trocados os lúpulos do final da fervura para que sejam usados no FWH. De modo geral, recomenda-se a utilização de lúpulos com baixos índices de ácido alfa.

Brad Smith ainda escreveu um novo artigo em 19/11/2012 sobre o mesmo assunto, onde atualiza as informações sobre FWH com suas últimas experiências. O que podemos aproveitar é o seguinte:

  • FWH pode ser usado com quaisquer tipos de lúpulo, tanto com baixos índices de ácido alfa quanto com altos índices. Tudo é uma questão de experimentar;
  • FWH pode até ser usado como única adição de lúpulo de uma cerveja, e já foi feito com sucesso por muitos cervejeiros;
  • Utilizar FWH aumenta o IBU de uma cerveja em uma razão de 10% a mais do que ficaria se fosse adicionado normalmente;
  • Apesar de aumentar o IBU de uma cerveja, o amargor percebido é mais uniforme e harmonioso, por isso a percepção não reflete esse aumento;
  • De acordo com outras experiências, o FWH não substitui totalmente o lúpulo de aroma, já que diversos óleos do lúpulo que conferem o aroma são evaporados;
  • Sugere-se a utilização de FWH em cervejas mais suaves (menos lupuladas), mas acredita-se que podemos conseguir resultados positivos em uma grande variedade de estilos.

Minhas experiências com FWH:

1) Bucica Pilsen (Seria uma German Pilsener, porém com levedura Ale)

OG: 1,046 SG FG: 1,010 SG
ABV4,7 % Bitterness: 30,1 IBUs
Est Color: 6,9 EBC

Foi adicionado o lúpulo Tettnang (Aromático) no FWH. Como imaginei que não seria destacado o aroma da cerveja, mantive a inclusão deste lúpulo também no final da fervura, aumentando consideravelmente o amargor da cerveja. O lúpulo foi adicionado diretamente na panela de fervura, assim que os primeiros litros foram passados para essa panela.

Impressões Gerais: Percebi que a cerveja ficou um pouco mais turva do que eu esperava, embora não tenha certeza se foi o aumento de lúpulo que aumentou a turbidez, ou se a filtragem não foi tão boa quanto eu gostaria. O período de maturação foi de cerca de 20 dias. Apesar disso a cerveja ainda ficou com a cor esperada, com boa retenção de espuma.

Gosto: De fato, a impressão que a cerveja me deu em relação ao gosto é de que o amargor é mais forte do que o normal, porém o amargor é mais suave. Achei muito interessante essa experiência e pretendo arriscar novamente outras receitas com o FWH.

Aroma: Não percebi muita diferença no aroma da cerveja. Ele estava bem presente, levemente cítrico. Acredito que o FWH não tenha afetado o aroma, já que os óleos essenciais do lúpulo que transmitem o aroma devem ter evaporado na fervura.

2) Bucica Pale Ale (Belgian Pale Ale)

OG: 1,050 SG FG: 1,014 SG
ABV5,17 % Bitterness: 31,9 IBUs
Est Color: 27,2 EBC

Foi adicionado o lúpulo Hallertauer Hersbrucker (Aromático) no FWH. Pensei seriamente em utilizar um lúpulo de amargor desta vez, mas como a Pilsen anterior ainda não havia ficado pronta, resolvi não arriscar. O lúpulo de FWH foi incluído já na panela de fervura, durante a transferência da panela de mostura para a de fervura.

Impressões Gerais: A cerveja ainda não está pronta, de forma que ainda não pude avaliar as impressões sobre o FWH. Porém, vou atualizar este post assim que provar a cerveja pela primeira vez.

Gosto:

Aroma:

Fontes:

http://www.brewery.org/library/1stwort.html

http://beersmith.com/blog/2008/03/17/the-first-wort-hop-beer-brewing-techniques/

http://beersmith.com/blog/2012/11/19/first-wort-hops-fwh-in-beer-revisited/